O Real acumulou apreciação superior a 10% em 2025, movimento que contrasta com a desvalorização de mais de 20% registrada no ano anterior. Uma parcela relevante dessa dinâmica esteve associada a fatores externos, refletidos nos movimentos do Dólar global, que exerceram papel determinante sobre o comportamento das moedas emergentes ao longo do ano. Uma forma simplificada de isolar esse componente externo é observar a performance relativa do Real vis-à-vis uma cesta de moedas com características semelhantes, conforme ilustrado no gráfico desta semana.
Assim como observado no ano anterior, o desempenho do Real voltou a se deteriorar em dezembro, refletindo uma sazonalidade historicamente desfavorável, marcada por fluxo cambial negativo, sobretudo em função do pagamento de lucros e dividendos remetidos ao exterior. Ainda assim, a máxima nominal registrada no mês ficou próxima de 5,60 USD/BRL, patamar significativamente inferior aos 6,30 observados no ano anterior, mesmo considerando o volume expressivo de intervenções realizadas pelo Banco Central à época. Por outro lado, como evidencia o gráfico, a moeda brasileira apresentou descolamento relevante em relação aos seus pares durante esse período.
Embora não exista um contrafactual plenamente crível para estimar o comportamento do Real em um cenário no qual o Dólar global não tivesse contribuído de forma positiva, é razoável supor que as pressões sobre o câmbio poderiam ter bem mais preocupantes em um ambiente externo menos favorável.

