Visão Turim
Um encontro mensal com nosso time sobre mercados e estratégias
O Visão Turim de Abril reuniu Fernando Verboonen (Sócio e CIO), Henrique Santos, CFA (Sócio e Head Portfolio Manager) e Pedro Hokama (Sócio e Head de Ativos Líquidos) para discutir a evolução recente do cenário global, os principais vetores de risco geopolítico, a dinâmica da economia brasileira e os movimentos mais relevantes nos mercados.
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• Cenário global: a escalada da tensão no Oriente Médio e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz levaram os preços da energia a disparar em todo o mundo. As perspectivas para o conflito dominaram a dinâmica do mercado ao longo do mês, mostrando moderação mais clara apenas nesta quarta-feira, após o anúncio de planos para um cessar-fogo.
• Política Monetária: o choque do petróleo levou a uma reprecificação relevante nos mercados globais de juros, desfazendo expectativas de cortes de juros e, em muitos casos, passando até a antecipar a retomada dos ciclos de aperto monetário. Esse movimento foi particularmente notável em países mais dependentes da importação de energia, como países da Europa e emergentes asiáticos.
• Câmbio: o dólar voltou a se valorizar no mês, em contraste com o observado ao longo do ano passado, quando o risk-off causado pelas tarifas levou a uma forte depreciação da moeda. Entretanto, é desafiador avaliar quanto do movimento é reflexo de um “flight to quality” e quanto não passa de um choque de termos de troca, dado que os EUA são exportadores líquidos de petróleo.
• Brasil: apesar do choque, o fluxo para o mercado brasileiro seguiu resiliente ao longo do mês, contrariando a reversão observada em um conjunto mais amplo de mercados emergentes. Parte do movimento pode estar associada à posição “privilegiada” do país, seja pela alta capacidade de produção energética, seja pela distância geográfica e diplomática do conflito.

