As expectativas de lucro por ação (EPS) costumam seguir um padrão pró-cíclico e sazonal. No início de cada ano, analistas geralmente projetam crescimento elevado, com base nas condições correntes da economia e na manutenção de margens robustas, frequentemente subestimando mudanças no ciclo econômico e contratempos operacionais das empresas. À medida que o ano avança e novos dados são incorporados, como sinais de desaceleração econômica, pressões de custos ou condições financeiras mais restritivas, as estimativas de lucro tendem a ser revisadas para baixo.
O gráfico desta semana ilustra essa dinâmica ao apresentar a mediana das expectativas para o EPS do S&P 500 em cada ano entre 2008 e 2026. Observa-se que, na maior parte da amostra, quase todo o crescimento de lucros projetado para um determinado ano é precificado ainda no ano anterior, excluindo-se os períodos pós-crise, quando as expectativas passaram a refletir a recuperação econômica. Essa dinâmica pode estar associada a vieses de previsão e a incentivos que frequentemente retardam a incorporação de cenários adversos.
Por outro lado, as expectativas para 2026 têm apresentado comportamento mais favorável até o momento, com revisões positivas relevantes, refletindo uma economia mais resiliente do que o esperado e resultados robustos, especialmente no setor de tecnologia. O avanço da inteligência artificial e a elevada rentabilidade das empresas sustentaram os lucros, mostrando que, embora o viés pró-cíclico permaneça presente, ele pode ser compensado em momentos de inflexão.

