Ao longo de 2025, observou-se uma sequência relevante de surpresas nos fluxos mensais do Investimento Direto no País (IDP), sobretudo a partir de julho. No acumulado do ano, essas surpresas (definidas como a diferença entre o valor observado e a mediana das projeções de mercado) somaram US$ 12,6 bilhões, dos quais cerca de US$ 12 bi se concentraram no segundo semestre. Em dezembro, no entanto, o resultado ficou bem abaixo do esperado: o fluxo foi negativo em US$ 5,2 bilhões, ante expectativa de entrada de quase US$ 1 bi, figurando entre os piores registros históricos para o mês.
O gráfico desta semana apresenta os fluxos mensais do IDP e incorpora uma segunda métrica que exclui do total o componente de reinvestimento de lucros. Como indicado, o dado de dezembro surpreendeu negativamente, tendo o reinvestimento de lucros sido o principal detrator. Embora seja recorrente a intensificação das remessas de lucros e dividendos ao exterior em dezembro, em 2025 esse movimento foi substancialmente mais intenso do que o observado nos anos recentes.
Vale destacar que, apesar de o reinvestimento de lucros compor estatisticamente o fluxo de IDP, trata-se de um lançamento contábil, que reflete a parcela do lucro das empresas não remetida ao exterior. Por essa razão, a exclusão desse componente oferece uma leitura mais fiel da dinâmica do fluxo cambial associada ao investimento estrangeiro. Sob essa ótica, não se observa perda de momentum do IDP em dezembro, em contraste com a surpresa negativa registrada no dado cheio.

